TERNURA
Eu te peço perdão por te amar de repente.
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos...
Das horas que passei á sombra dos teus gestos.
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos.
Das noites vivi acalentando.
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo...
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente...
E posso te dizer
que o grande afecto que te deixo...
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas...
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma união
um transbordamento de carícias...
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta...
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Vinícius de Morais
~Zé Marques~
Be Happy


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